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Deglutição uma questão de qualidade de vida

Você já imaginou ficar impossibilitado de engolir alimentos ou saliva por um dia de sua vida?

Você já imaginou ficar impossibilitado de engolir alimentos ou saliva por um dia de sua vida? Ou pelo menos conseguiria ler toda essa matéria sem engolir a saliva que se acumula na sua boca? Muitas pessoas sofrem com esse problema que é chamado de disfagia, ou seja, é o nome dado para a dificuldade ou anormalidade da deglutição.

A deglutição apresenta as fases oral, orofaríngea e esofágica que correspondem à passagem dos alimentos primeiramente pela cavidade oral, faringe e, após, pelo esôfago em direção ao estômago. Estas fases dependem da integridade anatômica das estruturas bem como do controle neurológico para que o processo seja concluído satisfatoriamente. Os sintomas associados à disfagia são a dor ao engolir, tosse durante as alimentações, sensação de peso ou corpo estranho na garganta, necessidade de várias deglutições para sensação de limpeza. Muitas vezes esses sintomas são negligenciados, até culminarem em internações hospitalares para tratamento de pneumonias aspirativas, quando o alimento ou saliva chegam aos pulmões.

Além de acometer pessoas sem doenças, como pode acontecer com idosos ou recém nascidos prematuros por exemplo, a disfagia é muito frequente entre aqueles que passaram por cirurgia na cabeça e pescoço, radioterapia, traqueostomia, ou entre pacientes com doenças e sequelas neurológicas como AVC (acidente vascular cerebral). Inclusive, a pneumonia por aspiração é a principal causa de morte entre aqueles que sofreram AVC, no primeiro ano deste evento.

Porém, apresentar algum grau de disfagia não significa necessariamente que o sujeito não possa mais se alimentar pela boca ou necessitar de sondas e cirurgias para alimentação enteral (quando o alimento chega diretamente ao estômago/intestino). Justamente, é importante que se avalie objetivamente o grau do distúrbio afim de conhecer as restrições e indicar tratamento mais invasivos, para o melhor acompanhamento do caso. A vídeo-endoscopia da deglutição é uma avaliação objetiva e funcional realizada pelo otorrinolaringologista, que requer a passagem da fibra ótica através das fossas nasais, para a visualização de toda a garganta. Observase a passagem de alimentos de diferentes consistências, corados pela faringe e laringe, com o paciente consciente. A seguir, são testadas manobras facilitadoras da deglutição, em tempo real, pela fonoaudióloga com experiência em disfagia. Este é um exame que pode ser realizado a beira do leito, em domicílio (no caso de pacientes acamados/ home care) ou em consultório médico equipado.

Este exame não avalia as causas esofágicas da disfagia, sendo necessária a avaliação do médico gastroenterologista nestes casos. Assim, o paciente com disfagia deve ser tratado por equipe multidisciplinar (médico clínico, pediatra, dentista, fisioterapeuta, otorrinolaringologista e fonoaudióloga) sendo muito importante a fonoterapia guiada por evidências objetivas.


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