Esta é uma dúvida recorrente em consultas otorrinolaringológicas, principalmente por pais temerosos pela saúde de crianças e adolescentes
Esta é uma dúvida recorrente em consultas otorrinolaringológicas, principalmente por pais temerosos pela saúde de crianças e adolescentes: aquele que retira as amígdalas e adenóides fica sem defesas? não é perigoso ficar sem estas estruturas, pois poderiam acontecer infecções graves ou recorrentes?
As amígdalas (tonsilas palatinas) e adenóides (tonsilas nasofaríngeas) são as maiores estruturas do conhecido anel linfático de Waldeyer, que é um tecido linfóide associado a mucosas, o qual exerce atividade imune, em especial entre 4 a 10 anos. Este anel de proteção é o primeiro sítio de contato com uma variedade de microorganismos e substâncias potencialmente nocivas presentes em alimentos e no ar inalado, protegendo tanto o trato respiratório como o digestivo. Algumas células, como os linfócitos e macrófagos, e as imunoglobulinas, que têm a função de reconhecer, neutralizar e marcar os antígenos agressores são os responsáveis pelas defesas, não estão presentes somente nas amigadas e adenóides, mas também em outros órgãos e estruturas imunes.
A cirurgia chamada de adenoamigdalectomia (também conhecida como tonsilectomia) foi uma prática indiscriminada por muitos anos, acarretando em maiores índices de complicações trans e pós-operatórias, como o temido sangramento. Os primeiros estudos que avaliaram o impacto da cirurgia no sistema imunológico, observaram um aumento de taxas de poliomielite e alguns até sugeriram a relação da cirurgia com Linfoma de Hodgkin. Essas evidências já foram descartadas, mas ainda hoje servem como base para questionamentos e perpetuam mitos.
A maioria dos primeiros trabalhos publicados sobre o assunto não avaliou o sistema imunológico antes da cirurgia, e não incluiu um grupo controle não cirúrgico. A maioria relatou uma diminuição da secreção de imunoglobulinas - IgA, IgG e IgM - após a adenoamigdalectomia. As publicações mais recentes relataram que a produção de anticorpos sofrem uma redução transitória, ainda que dentro dos níveis da normalidade, e sem um aumento das infecções das vias aéreas superiores. Até hoje não existem estudos que demonstrem um impacto clínico significante da adenoamigdalectomia no sistema imunológico.
Assim, sempre devemos avaliar o risco e os benefícios da conduta cirúrgica, para que ela seja feita de forma consciente, e os pais estejam bem informados. Para isso é necessária a exposição de informações como as acima citadas entre outras, no estabelecimento de um vínculo de confiança mútuo.

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