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Perda auditiva induzida por ruídos na infância

A perda auditiva induzida por ruído (PAIR) é uma constante preocupação para a medicina ocupacional, resultando em cuidados preventivos e políticas para redução de dano.

A perda auditiva induzida por ruído (PAIR) é uma constante preocupação para a medicina ocupacional, resultando em cuidados preventivos e políticas para redução de dano. Porem, o que muito preocupa é a exposição cada vez maior e precoce das crianças e bebês à ruídos de alta intensidade, por períodos prolongados. No entanto, ainda carecemos de políticas para prevenção da PAIR na população pediátrica.

A exposição excessiva ao ruído durante a infância, período da vida quando está ocorrendo o desenvolvimento da fala, da linguística e neurocognitivo,  pode causar sérios danos à crianças e bebês. Assim, alguns estudos mostram que ruídos de alta intensidade, podem afetar no desenvolvimento da organização tonotópica do córtex auditivo.

Alem do dano auditivo, o ruído pode afetar outros sistemas, como os sensoriais e o autônomo. Até mesmo o ruído de fundo pode levar ao aumento da pressão arterial sanguínea, vasoconstrição e aumento da secreção de adrenalina. Também pode alterar o sono, suprimindo o movimento rápido do olho no sono (sono REM).

Muitos pais se preocupam em relação ao uso de fones de ouvido, porem também existem muitas outras fontes de ruído potencialmente danosas, como brinquedos com capacidade de produzir muito ruído. Embora a American Society for Testing and Materials - ASTM - já tenha publicado padrões aceitáveis de ruídos para brinquedos (< 85dBA medido a 50 cm do brinquedo, ou < 65 dBA medido a 2,5 cm para brinquedos rotulados como ‘’próximos ao ouvido’’) estes padrões não foram submetidos à legislação e, a aderência dos fabricantes de brinquedos permanece de livre escolha.

A exposição a estes tipos de brinquedos pode levar a PAIR dentro de um certo tempo, ou até mesmo à PAIR, por um único trauma acústico. A perda auditiva pode ser agravada dependendo de alguns fatores de risco como o uso de medicamentos ototóxicos (que lesam as células do labirinto) como alguns antibióticos e diuréticos, doenças metabólicas, principalmente doenças renais crônicas e diabetes, fatores genéticos, desnutrição.

Embora a PAIR seja irreversível, pode-se prevenir. Por isso, é importante  reduzir a exposição ao ruído nos bebês e crianças. Inclusive em ambientes hospitalares, como UTI pediátrica e neonatal, esta é uma preocupação crescente. Também existem aplicativos de celular que ajudam a monitorar o nível sonoro, mas o que vale é o bom senso. Algumas crianças já apresentam sinais de fadiga auditiva e mesmo assim, não são educadas quanto a limites para uso de fones. A instalação do zumbido, por exemplo, pode ocorrer mesmo na infância, e o tratamento já se torna mais trabalhoso e demorado.

Então, mesmo que este seja um tema tão amplo e técnico, o mais importante é a conscientização de que o ruído é lesivo e deve ser evitado. Pais, cuidadores, professores, profissionais da saúde devem estar atentos aos hábitos auditivos das crianças, tempo de exposição e nível de ruídos para a prevenção da perda auditiva.

Sarah Cristina Beirith
CREMESC 18734 


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